Rodolpho Riskalla garante 2ª vitória no CPEDI3* em Mannheim superando medalhistas paralímpicos

Rodolpho Riskalla (em pé ao centro) em clique de confraternização na premiação (Rainer Schmidt)

Rodolpho Riskalla, quase 3 anos após amputação de parte das pernas e mãos, vem firme em busca de uma vaga na equipe de Adestramento Paraquestres nos Jogos Equestres Mundiais 2018 e também está entre os candidatos ao Time Brasil no Sul-americano de Adestramento, valendo vaga para o Pan 2019.

 

Após o 1º lugar no sábado, 5/5, o cavaleiro brasileiro Rodolpho Riskalla montando Don Henrico voltou a vencer nessa segunda-feira, 7/5, no Concurso de Internacional 3* de Adestramento Paraquestre – CPEDI3* no Torneio de Maio em Mannheim, na Alemanha. Montando Don Henrico, um hannoverano de 15 anos, o cavaleiro paulista radicado na França, que integrou o Time Brasil na Rio 2016, garantiu a 1ª colocação na prova individual Grau IV com nada menos que 74.959% de aproveitamento.

Em 2º lugar chegou a holandesa Sanne Voets, medalha de ouro individual na Rio 2016, prata individual e ouro por equipes nos Jogos Equestres Mundiais 2014, com 70.813%. Pela França, Jose Letartre com Swing Royal Ene HN foi 3º, 70,447%. Também esteve no páreo a top alemã Hannelore Brenner, que entre outras medalhas paralímpicas garantiu dois ouros individuais e prata por equipes em Londres 2012. Montando Rainbow Queen, Hannelore foi 5ª colocada, 68.455%. Nessa terça, 8/5, Rodolpho e Don Henrico disputam o Freestyle Grau IV.

Rodolpho Riskalla (em pé ao centro) em clique de confraternização na premiação (Rainer Schmidt)
Rodolpho Riskalla (em pé ao centro) em clique de confraternização na premiação (Rainer Schmidt)

Rodolpho monta Don Henrico, cedido pela amiga, patrocinadora e amazona olímpica alemã Ann Kathrin Linsenhoff, desde julho de 2017. Além de competir em provas de Adestramento Paraquestre visando uma vaga nos Jogos Equestres Mundiais 2018, Rodolpho também está no processo seletivo da Confederação Brasileira de Hipismo para representar o Brasil no Campeonato Sul-americano de Adestramento 2018, na Argentina, disputa válida como qualificativa do país para os Jogos Pan-americanos 2019.

“Daqui a 10 dias vou competir no small tour do Concurso de Adestramento Internacional – CDI de Wiesbaden, na Alemanha. Depois o Don Henrico vai descansar. Talvez eu entre em alguma prova no final de julho ou agosto. A nossa meta é chegar em forma nos Jogos Equestres Mundiais 2018 em setembro”, revelou Rodolpho, 33, que também comentou a evolução de seu desempenho.

“O cavalo melhorou e estamos criando cada vez mais conjunto. Ele tem muita qualidade nas três andaduras – passo, trote e galope –  é o que os juízes gostam de ver. No Internacional de Adestramento em Hagen, na Alemanha, entre 25 e 29/4, também chegamos perto da casa dos 70% tanto na reprise St George como na Intermediaria I”, ponderou o brasileiro.

Trajetória de superação e vitórias

Rodolpho, 33, cavaleiro de adestramento desde a infância, tinha o sonho de integrar a equipe brasileira de Adestramento na Rio 2016. Morando em Paris, na França, em meados de 2015, perdeu seu pai precocemente, veio a São Paulo e duas semanas depois contraiu uma grave doença (meningite bacteriana) e lutou muito pela vida. Venceu, mas não foi fácil. Começou o tratamento em São Paulo e depois em Paris, ao final acabou amputando a parte inferior das duas pernas, a mão direita e parte dos dedos da outra.

Sempre com espírito de luta ímpar foi se recuperando, reaprendeu a andar, se reaproximou dos cavalos e voltou a montar no início de 2016 e meio ano depois realizou o sonho de defender seu país nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 fechando em 10º lugar na competição Grau III (hoje Grau IV).

Com residência fixa em Paris e cada vez mais adaptado às suas novas proteses Ottobock, com as quais está retomando o hábito de corridas, Rodolpho trabalha na empresa Dior e mantém sua dura rotina de treinos. “Todos os dias antes do trabalho eu treino com a minha mãe Rosangele Riskalla.”

Nesse ritmo, o brasileiro vem com tudo e boas chances de brigar por uma medalha nos Jogos Equestres Mundiais 2018.

Fonte: Carola May