Meu cavalo morreu

Para muitos como eu isso é um impacto emocional muito grande, pois ter um cavalo, se adaptar a ele, conviver com ele é algo que algumas pessoas sonharam durante toda a vida.

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É claro que para quem nasceu no mundo do cavalo, tem como profissão ou é atleta competitivo, haverão poucos os casos de uma ligação afetiva, o cavalo é um instrumento e não está errado.

Mas, quem sempre sonhou em ter um cavalo, para o lazer e mesmo competir por diversão, em geral cria um laço emocional com o animal.

O cavalo é muito diferente do um pet comum, não sei porque, a relação com esse animal é mais intensa, falo como um leigo que entrou nesse mundo por pura paixão.

Talvez por ser um animal de 500 quilos que demonstra por nós afeto, ou porque fazemos um conjunto, ou seja, juntos (montado) somos um, ou porque com todo o seu tamanho tem enorme dificuldade de nos fazer um carinho e mesmo assim usa seu focinho de forma delicada.

Certa vez meu tratador ligou para minha filha pois meu cavalo não parecia bem, bom, eu estava internado no hospital e ao dizer isso o tratador respondeu “já entendi”, ou seja, de alguma forma esse fantastico animal estava ligado a mim.

Acho que para todos o seu cavalo é ou foi o melhor, no meu caso não é diferente, além de ser ótimo para mim, tinha um carinho especial por minha filha e netas, dá para acreditar!

Minha melhor definição de um PSL (Puro Sangue Lusitano) é que é um cavalo bom para tudo e ótimo para nada, mas ele era ótimo para mim.

Peço desculpas se ofendi alguém ao dizer que os PSLs são ótimos para nada, mas no meu mundo do hipismo, saltando, no adestramento, CCE e em outras modalidades, podemos ter sempre bons resultados, mas não vamos ganhar um grande prêmio.

O Vergamo Marumby (meu cavalo) era para mim um grande amigo, sempre presente nos meus bons e maus momentos, ele era a alegria do meu dia e quando morreu meu testemunho público em sua homenagem foi:

“Peço desculpas aos meus amigos, não tenho muitos, os que tenho são amigos, por dizer que ontem perdi o meu melhor amigo.

É curioso dizer que o cavalo era meu melhor amigo, mas sim ele era, era meu terapeuta, meu personal, o ouvido para ouvir meus problemas, era com quem brigava, ele era teimoso e dessa forma me tirava da realidade do dia a dia para focar nele, era em quem eu batia com carinho, era com quem caminhava e falava, era de quem eu tirava mais fotos e depois ficava a admirar.

É estranho dizer, mas ele não merecia partir, bom caráter, leal, era difícil as pessoas não gostarem dele, era bom em tudo, e como digo, não era ótimo em nada, além de ser um ótimo amigo.

Ele dedicou a mim anos de sua vida, hoje me pergunto se dei a ele tudo que merecia, mas juro que tentei.

Sei que para muitos um cavalo é um cavalo, mas não nasci no mundo do cavalo, mas sonhava desde criança com viver nele, portanto quando pude lá pelos meus 48 anos, abracei o esporte, mas não por resultado e sim como PAIXÃO.

O VERGANO nunca será esquecido por mim, vivemos juntos bons momentos e ele me ajudou muito nos meus maus momentos, que sem ele talvez tivesse sido bem mais difícil de superar.

Deixo aqui meu tributo ao meu melhor amigo, ontem caminhamos juntos lado a lado, como sempre fizemos e conversamos pela última vez, hoje só me sobra saudades e ótimas lembranças.”

Eu e Vergano no CCSP
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